Laboratório de Gestão do Território

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Notícias

Licitação do "GÁS DE XISTO":

Carta aberta à Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff


Senhora Presidenta,


A Agência Nacional do Petróleo – ANP - anunciou a decisão de incluir o chamado gás de xisto na próxima licitação, em outubro, de campos de gás natural em bacias sedimentares brasileiras.
Com todo o respeito e admiração, vimos recorrer a Vossa Excelência no sentido de excluir do edital esse tipo especial de jazida, dando um prazo de governo, da ordem de cinco anos, após o qual seja tomada uma decisão estratégica sobre a conveniência de explorar gás de xisto no Brasil. Os motivos e justificativas para isto podem ser assim resumidos:
O anúncio da ANP da intenção de explorar gás de xisto é intempestivo e não foi antecedido de qualquer consulta pública, discussão ou diálogo com a comunidade técnica e científica do País. Está na contramão da transparência administrativa e dos princípios democráticos do próprio Governo.

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Professora Bertha Becker publica livro sobre a Amazônia

Professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Laboratório de Gestão do Território da instituição, a Acadêmica Bertha Becker irá lançar - no dia 18 de junho, das 16h30 às 19h30 - o livro "A Urbe Amazônida", seu mais novo projeto. O encontro será realizado no bairro de Copacabana, em sua própria residência, no Rio de Janeiro. Para saber mais do que se trata a publicação, leia abaixo um pequeno resumo extraído do blog "De Bertha Becker: Obras, Pensamentos e Reflexões":

"Por que os núcleos urbanos, tão intrínsecos ao processo de sua colonização, não promoveram o desenvolvimento da Amazônia? A autora reexamina a história das origens das cidades amazônicas à luz das teorias de Jane Jacobs sobre as cidades como motores do crescimento econômico, e de Peter Taylor com respeito às relações entre cidades e destas com os lugares centrais.

 

A história da Amazônia revela que a região ficou à margem do Estado brasileiro, na dependência das demandas das metrópoles e países estrangeiros, passando por curtos períodos de crescimento seguidos de longos intervalos de estagnação. Se em tempos coloniais a apropriação do espaço amazônico pelos europeus seguiu diferentes modelos - catequização por missionários portugueses e espanhóis; fundação de aldeamentos para exportação de drogas do sertão colhidas por indígenas, seguida de intensificação do comércio e urbanização (Portugal); conquista da terra e busca obsessiva por ouro (Espanha); fundação de colônias agrícolas e cooperação com grupos indígenas (Holanda) - em épocas contemporâneas o Estado brasileiro favoreceu a expansão da fronteira agrícola do Sudeste para ocupar a Amazônia, que ocorreu com a formação contemporânea de uma fronteira urbana de imigrantes. Por sinal, o Estado brasileiro historicamente têm-se caracterizado pela implementação de uma geopolítica de controle territorial da Região Amazônica, criando novas instituições administrativas (vilas, cidades, capitais) sem fomentar o avanço social.

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Brasil deve liderar integração econômica da América Latina

 

A expansão dos investimentos das empresas de países centrais para periféricos nos últimos 30 anos provocou uma polarização sem precedentes na economia global em que, de um lado, há hoje um conjunto de nações, como as do Leste Asiático, que se beneficiaram desse fluxo de capital e se tornaram industrializadas. No outro extremo restou outro grupo, formado por países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os da União Europeia, além de emergentes, a exemplo do Brasil, que passam atualmente por um processo de desindustrialização.

Para sobreviver a essas mudanças na dinâmica da economia global, os países da América Latina precisam se integrar economicamente. E esse processo pode - e deve - ser liderado pelo Brasil.

 

A avaliação foi feita por Luiz Gonzaga Belluzzo, professor do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Faculdade de Campinas (Facamp), durante o The Fourth Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde), realizado nos dias 7 a 11 de janeiro na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

 

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Qualidade de vida na Zona Costeira Brasileira

Problemas ligados ao saneamento básico, como esgoto a céu aberto e acúmulo de lixo, estão entre os principais problemas dos cerca de 45 milhões de pessoas que vivem na zona costeira brasileira. Os dados forma repassados pelo pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cláudio Gonçalves Egler, que participa de Seminário na Câmara sobre gerenciamento costeiro na região Norte.

Matéria da Radio da Camara dos Deputados

 

O que aprendi com Aziz Ab’Saber

Meu primeiro contato com Aziz Ab’Saber foi em um trabalho de campo no sertão paraibano no final da década de 1970. Havia sido contratado como professor colaborador pela Universidade Federal da Paraíba e foi uma de minhas primeiras expedições ao ‘miolão’ do semiárido, cruzando a diagonal da seca e penetrando no mundo dos pediplanos e inselbergs. Nessa trajetória contei com dois guias especiais: Aziz e Orlando Valverde.
Foi uma experiência inesquecível que vivi com José Grabois, companheiro de  muitas travessias geográficas no Nordeste. Lembro-me particularmente do momento que nos detivemos nas bordas da depressão de Patos  e fomos brindados pela explicação de como os processos geomorfológicos do passado, forjados por paleoclimas que não mais existem , marcaram profundamente a paisagem do semiárido, cujas condições naturais garantiram a permanência de suas feições até os dias naturais. Aziz ensinava a ler a dinâmica da paisagem nas formas do relevo e como passado e presente se mesclam na definição dos domínios morfoclimáticos, uma de suas importantes contribuições à geografia física.
Uma década depois, já no início dos anos 90, encontrei Aziz caminhando com Luís Inácio “Lula” da Silva em Porto Velho em suas Caravanas da Cidadania. Estava lá para ministrar um curso na UNIR e havia saído para um reconhecimento da cidade quando vi ao longe sua figura esguia e alta caminhando no meio de uma multidão de seguidores. Como sempre, sua reação foi extremamente afetiva e lembro-me de que almoçamos juntos em um restaurante que havia formado uma imensa mesa com todos os participantes da Caravana.
Durante o almoço conversamos sobre os rumos do Brasil e de sua geografia durante os anos trágicos do Governo Collor. Como sempre, Aziz vivia a realidade política nacional com toda a sua intensidade e  o encontro inesperado na Amazônia revelou me a grandeza de sua militância desprendida. Foi o momento em que estive mais próximo do futuro presidente e Aziz jamais foi ministro ou funcionário de governo. Sua autonomia cientifica  e moral sempre foram inegociáveis.
Alguns anos depois coordenei a elaboração do Telecurso 2000 - Geografia e necessitávamos de depoimentos de profissionais de notório saber para ilustrar os programas de televisão e difundir a geografia entre os alunos e instrutores do curso a distância. Aziz havia sofrido seu primeiro enfarte e estava - como dizia, no “estaleiro’ para recuperação. Convidado a contribuir com suas ideias, assumiu com afinco a tarefa e, talvez, tenha sido o geógrafo que mais tempo tenha ocupado nas telas de televisão pelo Brasil afora, enquanto o curso foi apresentado.
Aziz compreendeu integralmente a proposta do curso e contribuiu muito para tornar a geografia uma matéria viva e atual, que se destacou no conjunto das demais. Sua vocação para o ensino e sua crença de que o conhecimento científico emancipa homens e mulheres - transformando-os em sujeitos de suas vidas, sempre nortearam os seus passos e orientaram suas atitudes. Perdemos não apenas um grande cientista e um brilhante geógrafo, mas também um exemplo de comportamento ético.

 


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